Pitões das Junias, 2 a 5 Outubro 2010

E lá partimos nós para mais uma caminhada. O fim-de-semana era prolongado e prometia. A nossa caminhada de sábado começou no velhinho, degradadíssimo e num estado lastimoso de abandono, Mosteiro de Santa Maria das Júnias, descemos, através de um excelente passadiço de madeira em direcção ao miradouro da cascata, onde a água desagua num bonito lago delimitado por afloramentos graníticos, na companhia de um carismático centenário carvalho, onde, reza a lenda, habita um duende (acho que ninguém o viu). Passamos pelo carvalhal do beredo. Depois do almoço passamos, ainda, pelo fojo do lobo ( que era uma armadilha de caça) e “discutimos” as figuras curiosas das pedras que a imaginação de cada um ia criando! Houve quem visse coisas espectaculares!!! Após uns 11 quilómetros, chegamos então à aldeia de Pitões das Júnias. Nem vila alma, também com o vento que começava a dar ares da sua graça! E depois de uma boa caminhada nada melhor que acabar com uma mini no Café do Preto! No final do dia, lá tivemos direito a um merecido jantar! A começar por umas alheirazitas e seguido de posta para uns e uma feijoada, que tinha um aspecto duvidoso ( fresca não era com certeza). Mas o jantar foi bem regado por um óptimo vinho do douro que o Eduardo se lembrou de levar! Depois do jantar partimos então para Tourém onde estava marcado o nosso espectacular alojamento na Casa dos Braganças!

E foi desta casa magnífica, e após um pequeno-almoço digno de reis que partimos na manhã do dia seguinte em direcção à aldeia de Pitões, de onde começaríamos a caminhada e onde nos encontraríamos com os nossos companheiros vindos muito cedo do Porto. O dia prometia ser longo, estavam previstos uns míseros 20 kms. No entanto, o tempo tem destas coisas e estava um dia de tempestade! Com tudo, uns tantos corajosos queriam caminhar a todo o custo e teimavam que o tempo havia de melhorar, o que não aconteceu! E como resultado do “magnífico” dia de inverno, passamos toda a manhã no café do preto, uns nos comes e bebes, outros no bilhar, outros ainda nos matrecos! E apesar dos optimistas o tempo não melhorou e restou-nos almoçar na Casa dos Braganças. E não é que de tarde houve uns corajosos que partiram para uma caminhada, no entanto e após uns metros, um grupo desertou, mas os outros lá seguiram! Para os que desertaram valeu-lhes uma lareira acesa para secar o equipamento encharcado e um chá quentinho para retemperar forças! E tivemos direito a um lanche oferecido pelos senhores da Casa dos Braganças, acompanhado por música de concertina e ainda nozes, vejam só!

Na manhã seguinte, e só para alguns (uma parte dos nossos companheiros tiveram que regressar, pois na segunda era dia de trabalho), o tempo estava espectacular, São Pedro proporcionou-nos um belo dia, um pouco frio, mas um sol radiante! E lá partimos nós para a nossa grande caminhada, tínhamos muitos quilómetros pela frente! Saímos mais um vez de Pitões em direcção á fonte fria! Pelo meio ainda tivemos que atravessar um pequeno riacho, mas que foi necessário improvisar uma travessia, obra digna de engenheiros! E pé em Portugal, pé em Espanha, lá estava a fonte fria imponente, que só alguns tiveram coragem de subir! Mas valeu a pena, a vista era espectacular! Ora e depois do merecido almoço, era hora de pôr pés ao caminho. O destino, o alto de São João, ou como é conhecido o piolho, um pontinho branco lá no horizonte! E o alto que já se avistava há tanto tempo parecia cada vez mais distante!! Mas os domingueiros são persistentes e após uma subida íngreme lá chegamos à capela de São João! Bem, a vista era qualquer coisa de extraordinário! E ao fundo a barragem da paradela! Depois de recuperadas as forças, eram horas do regresso, e como quem sobe tem que descer, a descida também foi um pouco custosa! E a aldeia de Pitões que nunca mais lá chegávamos !!! Já ao anoitecer chegamos à tão famigerada aldeia, onde tivemos tempo para uma mini, e para uma pequena conversa como um grupo de caminheiros que se tinham perdido na serra no dia anterior! Já nós a fazer filmes, estávamos já a contar com a presença da televisão para a chegada dos domingueiros! Não, não, os domingueiros nunca se perdem!!! E então com o Eduardo e com o seu gps! E após um dia muito cansativo, mas com as vistas regaladas e a alma cheia, partimos em direcção a Tourém, à Casa dos Bragançãs onde um repasto nos esperava, depois de feitos os 20 kms! Bem do jantar não faço comentários, só digo que foi realmente muito bom! E as sobremesas feitas pela dona da casa, nem me quero lembrar, já estou a babar!

E chegamos a terça, e como diz o ditado, o que é bom acaba depressa, já estávamos no nosso último dia de caminhada! Após mais um magnífico pequeno-almoço servido na Casa, lá partimos para a nossa última caminhada do espectacular fim-de-semana em terras de Pitões/Tourém! A nossa caminha desse dia foi coisa levezita, uns 6 kms mesmo só para desgastar o jantar do dia anterior! Percorremos o camiño previlexiado (como dizem nossos hermanos) que fazia a ligação com o couto misto. Pequena área fronteiriça, com organização própria, que não estava ligada nem à coroa portuguesa e nem à coroa de Espanha. Entre os direitos e privilégios deste pequeno território encontravam-se o de asilo para os foragidos da justiça portuguesas ou espanhola, o de não dar soldados nem para um reino nem para o outro, o de isenção de impostos, o de liberdade de comércio e liberdade de cultivos como o do tabaco. Os habitantes do couto dispunham de um caminho neutro, que era utilizado para o trânsito de pessoas e de mercadorias, as autoridades de ambos os países não podiam realizar nenhuma apreensão dentro dos seus limites. Caminho esse que também era utilizado para fazer contrabando. Os mistos não podiam ser detidos, por actividades consideradas como ilícitas. No final da caminhada ainda fizemos uma visita ao forno comunitário de Tourém e após o almoço, ala que se faz tarde , no dia seguinte era dia de trabalho!