Picos Europa, 10 a 14 Junho 2009

Dia 10 Julho, o início de uma jornada de 5 dias rumo aos Picos da Europa.

Iniciamos a viagem, uma paragem em Chaves para se juntarem mais uns domingueiros e outros que se juntaram em andamento.

E lá vamos nós…

Rumamos a Benavente para um pepito de ternera mas não resistimos à verdadeira bola de carne à portuguesa e acabamos por almoçar na hora da siesta “à sombra” de uma paragem de autocarro.

Continuamos a nossa viagem com uma saudável rivalidade entre a tecnologia alemã e japonesa. Percorremos a estrada e fomos parando para apreciar a paisagem que já revelava a beleza das montanhas.

Pequenas paragens para apreciar o rio, ninhos de cegonhas, pequenas igrejas e as montanhas sempre ali ao lado.

Após alguns quilómetros percorridos lá chegamos nós a Poncebos. O alojamento no albergue que seria a nossa casa por mais uma noite. O estômago já chamava a atenção e lá fomos à procura de onde jantar. Um verdadeiro cozinheiro serviu os domingueiros esfomeados onde uns já começavam a tomar café e outros iniciavam o jantar. Hora de descansar, o dia seguinte prometia.

8h da manhã e rumamos a Cain, o grupo dividiu-se em dois, e cada um iniciou por uma das extremidades da Garganta del Cares.

O sol prometia acompanhar-nos na caminhada e lá fomos, uma subida para iniciar, e um trilho bem definido ao longo do desfiladeiro.

O “olá” era uma constante partilha com todos os caminheiros com que nos cruzávamos.

Atravessávamos passagens entre as rochas, caminhos estreitos sempre com o rio Cares a acompanhar, uma vegetação verdejante e as cabras sempre refasteladas e desconfiadas.

Ao longo do percurso, obras de manutenção do trilho e quando todos se questionavam como é que chegavam ali os compressores, os martelos pneumáticos e todo o material lá vem a resposta: duas verdadeiras mulas de carga!

Os grupos tentavam comunicar mas ainda estavam distantes. Paramos para almoçar quando passa o verdadeiro casal de caminheiros!

Continuamos perto de pequenas represas e cursos de água até que foi avistado o resto do grupo. Ninguém se esqueceu de trocar as chaves do carro…..

Continuamos de Caín a Sesanes passando pelo chorco de los lobos. O regresso ao Albergue e a primeira etapa estava concluída!

Novamente um jantar e a noite foi da campeã ibérica dos matraquilhos que destronava qualquer adversário!

Segundo dia de caminhada. O dia definitivamente prometia.

Partimos de Sotres com o objectivo bem definido de alcançar Veja Urriello (refúgio do Picu Urriello).

Uma subida em terra batida e finalmente o verde da paisagem que não tinha fim. Os prados verdejantes e um céu azul iam ser a nossa companhia por mais uns quilómetros.

Mais uns quilómetros e eis que nos deparamos com a verdadeira Fábrica de Queijo, tradicionalíssima e onde o “choque tecnológico” chegou a tempo e horas! Tentamos fazer negócio mas àquela hora só queijo fresco.

Continuando a caminhada e o grupo foi-se distribuindo ao longo do trilho que se vislumbrava simplesmente magnífico!

Uma pausa para almoço e restabelecer energias e novamente no trilho lá continuamos rumo às nuvens.

O sol estava a pique e os pequenos mantos de neve ainda por derreter tornavam-se zonas de verdadeiro lazer.

Mais umas subidas e mais umas subidas e conseguíamos avistar aves que passavam ao nosso lado, ovelhas que percorriam a neve, corsos que tímidos se camuflavam entre as rochas e claro está as companheiras de todas as caminhadas: as cabras.

Continuando o trilho que rasgava a montanha encontramos novamente o verdadeiro casal de caminheiros e já iam a descer!

Enfim após mais uma das tantas curvas conseguimos avistar o imponente Picu Urrielo. No entanto ainda faltava mais uma prova, atravessar o manto de neve que nos separava do refúgio. Estávamos verdadeiramente acima das nuvens!

Mais um pouco e conseguimos todos atingir o Veja Urriello. Julgo que ninguém se vai esquecer da sensação de missão cumprida, da frescura da erva e da vista deslumbrante da grandiosidade do Urrielo mesmo ali ao lado.

A paisagem que ficou retida em tantas das fotografias por todos tiradas não conseguem revelar a imensidão e beleza do lugar.

Lá nos alojamos na nossa camarata e rumamos a um jantar bem nutritivo.

O Pôr-do-sol era o momento mais aguardado e o foi fácil perceber porquê. O Urrielo transformava-se e vestia-se em tons de laranja.

O frio intensificava-se e estava na hora do merecido descanso, 22h e as luzes eram desligadas. Após uns ligeiros contratempos com tratamentos mais ou menos ortodoxos de crio-terapia os domingueiros lá dormiam e ressonavam…….

Bem cedo acordamos para o pequeno-almoço e começar a descida até Bulnes pelo mesmo trilho, embora a paisagem fosse apreciada de forma diferente, passando novamente pelo Monte de Varera e fizemos um pequeno desvio rompendo por um prado. Urriello ficava cada vez mais distante.

Agora era a descer e descer por entre a vegetação e trilhos em pedra. Uma paisagem diferente e desta vez a frescura era a do rio Texú.

Pela Garganta do Texú rumávamos a Bulnes entre cantorias e nostalgias dos tempos de infância.

Chegada a Bulnes e todos os domingueiros prosseguiram claro está! Qual funicular? Sempre a caminhar….

Finalmente Poncebos é hora de relaxar! E relaxar e relaxar, os mais aventureiros ainda cheios de energia foram a banhos enquanto os restantes degustavam umas canhas.

Regressamos albergue com a sensação de missão cumprida e com o desejo de um banho!

Missão cumprida!

No dia de regresso estranhamente todos andávamos de forma diferente mas mesmo assim a manhã foi para mais uma caminhada desta vez para comprar uns regalos. Rumo a Portugal e no entretanto (infelizmente) lá aparece a verdadeira “Guardia Nacional” e desta vez não foi para desimpedir o canal……

Um discurso de despedida e um até à próxima….De minha parte um obrigada por todo o companheirismo e por terem partilhado comigo umas das paisagens mais magníficas que vi até hoje.