Idanha a Nova, 25 a 27 Abril de 2008

Na Rota dos Fósseis

O percurso dos Domingueiros teve início no nobre dia da liberdade, devidamente homenageado pelo grupo, que se reuniu junto a um tanque de guerra em Penha Garcia para dar início ao trajecto. A passagem pela pacata vila de casas rústicas abriu caminho para a Rota dos Fósseis. Debaixo de um sol quente, que se veio a tornar abrasador, passamos por numerosos trilhos, onde visionamos alguns seres vivos e minerais da pré-história, deixando à imaginação o género de animais que ali terão passado. A misteriosa Gruta da Lapa, com uma vista fantástica sobre o horizonte, foi ponto de paragem obrigatório, dando lugar a percursos de rara beleza, com paisagens ricas em património histórico. A Casa dos Fósseis, os moinhos antigos e algumas casas em pedra guardam no seu interior os objectos e o aroma de outros tempos. Mas a visita foi ensombrada por uma osga que nos observava tranquilamente do teto de uma das habitações e foi um vê se te avias para sair dali, pois só um ferro em brasa livraria do bicho quem apanhasse com as suas ventosas!!
O almoço decorreu junto a uma cascata, debaixo de uma sombra divinal de árvores e rochedos. Foi o descanso dos guerreiros, alguns dos quais não dispensaram um mergulho no lago artificial e o recuperar das forças para mais umas horas de percurso. De regresso à vila, seguimos viagem até às Termas de Monfortinho. Uma pequena visita num espaço verdejante e tranquilo, onde vimos a fronteira com Espanha delimitada pelo rio junto a uma pequena mata. Não resistimos a uma visita a Alcântara, para ver a imponente ponte romana, a grande barragem e uma passagem rápida pela histórica aldeia espanhola. Nada mau para um primeiro dia…

Rota em Monsanto

Foi na majestosa aldeia de Monsanto, onde Fernando Namora passou alguns anos da sua vida, que iniciamos o trajecto do segundo dia. Cada esquina convidava a uma fotografia, tal era a beleza arquitectónica das casas e monumentos locais. Houve quem não dispensasse a compra da pequena boneca de traje tradicional que dá sorte ao seu dono… e serve para fazer macumba! Ui! Já embrenhados na zona montanhosa, cruzamos a esplendorosa capela de S. Miguel e as sepulturas cavadas na rocha. No Castelo de Monsanto enchemos a vista com a paisagem deslumbrante, a igreja de Santa Maria do Castelo no seu interior, a Torre de Menagem e a antiga cisterna cuja barreira de protecção não impediria um cachorro de cair lá dentro.
Retomada a caminhada, fomos parar a Idanha-a-Velha, que nos presenteou com uma capela antiga e um lagar-museu, tão arejado e fresco que não dava vontade de sair dali e enfrentar os 30 graus de temperatura lá fora. Recuperadas as forças e com uns geladinhos, retomamos para a senda final. A Barragem e o grande lago de Idanha-a-Nova era o objectivo, mas nada fazia crer que para ver essa maravilha da natureza teríamos de saltar cercas, muros, quase rasgar as calças e passar por regos enlameados que nos deixaram as sapatilhas irreconhecíveis. Foram 18 Km de esforço, com mais uns calinhos e pés inchados. Mas valeu a pena!

Rota dos Abutres

O trilho do terceiro dia foi em Salvaterra do Extremo, de uma paisagem rica em vegetação, pela diversidade de árvores e plantas das mais diversas cores, como pela altura das ervas que nos impediam de ver ao longe. De vez em quando era possível avistar os abutres que dão nome à rota, assim como outras aves de menor dimensão. O miradouro das aves, com a idade dos Domingueiros, apenas serviu para visionar o castelo que, ao longe, permanecia impune do alto da encosta. O percurso terminou com alguns resistentes a efectuarem um percurso final até à esplendorosa encosta, engrandecida por numerosos abutres de voo majestoso que por ali residem. Foi um espectáculo digno de nota. Para o final ficou o chapéu de um Domingueiro, que o vento não poupou, arrastando-o para a escarpa, cujo destino é a fossilização e que será descoberto e estudado daqui a milhares de anos como um objecto não identificado…