Termas de São Pedro do Sul, 29 de Julho de 2007

A “coisa” foi mesmo bem vendida pelo João. Castro dos banhos, em finais de um Julho tórrido, soa aos ouvidos de qualquer cidadão como música celestial. E por isso lá fomos, Domingueiros de primeira viagem, cheios de vontade e expectativa. Até com águas minero-medicinais, frequentes e não engarrafadas, nos aliciou ( vejam a promoção no site ). Já para não falar nos insistentes lembretes para levar fato de banho e restantes apetrechos de banhista, não esquecendo obviamente o protector solar ( o único indispensável ). Devia ter levado mais a sério a expressão de dúvida jocosa que o Pedro Almeida deixou escapar no dia anterior. Não que desconfiasse do João. O Pedro tinha a certeza de que as coisas não seriam bem assim. Saber de experiencia feito. Pois nem Castros nem banhos.

Sejamos honestos. Banhos tivemos. De suor e de água de chafariz de potabilidade duvidosa. Então porque é que o passeio de 29 de Julho foi tão agradavelmente marcante?

Em primeiro lugar pela boa disposição, cumplicidade, disponibilidade e fair-play do grupo. Melhor seria difícil. Depois pela beleza serena do percurso, mesmo quando nos enganávamos e seguíamos o caminho menos soalheiro, não por ser mais fresco mas porque estávamos mesmo perdidos. Finalmente porque raramente temos possibilidade de testar os nossos limites físicos e de vontade. Foi uma prova e tanto.

De inicio o acidentado do terreno não distraia da rusticidade de uma paisagem ainda genuinamente rural e acolhedora. Estávamos cheios de força. Entre a erva fresca que crescia nos regatos limpos e frequentes ouvimos dizer algures na fila que nos encontrávamos na reserva biológica das cobras e outros rastejantes. Passamos a pisar com mais cuidado.

E rumados a Piso, por volta do meio-dia, tivemos honras de palco numa vila fantasma que afinal acordou ás duas da tarde para vender café na Associação Recreativa local. Conhecemos o Sr. João, um exemplar de Homem simples com muitas histórias para contar, feliz por ver forasteiros. Ficávamos a tarde a ouvi-lo, não tivéssemos ainda dez quilómetros a percorrer, fora os desvios e enganos que somaram outros dez.

Volvidos ao sítio onde pouco antes tínhamos concluído estar perdidos, no centro de um belíssimo vilarejo de pitoresca traça beirã, entre a escola tipo Estado Novo e o palacete abrasileirado do século XIX, começamos a tarde de caminhada. O relógio do João, que também percebe de temperaturas, marcava 41,7º á sombra. Já agora, o aparelho também funciona como GPS mas as noticias nesse aspecto, eram pouco motivadoras. Segundo a maquineta, os nossos carros estavam noutra galáxia, com uma serra, um rio e uma cidade, Vouzela, pelo meio. E percorremos meio Universo, como bons Domingueiros.

Convido todos os Amigos Domingueiros e demais curiosos a escutarem com atenção o “Coros do Peregrinos” de Wagner. Todo o nosso esforço, admiração e contemplação, desalento e alento, a desistência adiada a cada passo e finalmente o gozo, o prazer, a satisfação de ver a chegada logo ali, estão bem patentes naquela obra. Este passeio também foi Obra. Obrigado a todos em nome da família e...venha outro.