Asturias, 5-8 Outubro 2006

Pois é... Mais uma vez os domingueiros se juntaram para uma caminhada. O fim de semana prolongado possibilitou uma escolha mais distante do que o habitual, os Picos da Europa.

Nas viagens o grupo dividiu-se pelos dois veículos alugados (o Noody Mobile e o do Bob) e foi comunicando, com mais ou menos interferências (ouvimos uns espanholitos, de vez em quando), com os walkie talkies.

Ambos os veículos partiram do Porto, mas já que era preciso repescar caminheiros por vários locais, o início do trajecto foi diferente. O objectivo seria encontrarem-se, para seguir viagem em conjunto, na estação de serviço de Fafe (que aparecia na internet, mas que pelos vistos só mesmo lá!), andamos, andamos, andamos e nada de estação de serviço, até que nos encontramos no “Ponto de encontro”. A paragem para almoço teve lugar em Puebla de Sanabria, onde foi possível, ainda, tirar fotos fantásticas (tivemos sorte com o tempo).

Em Léon conhecemos um pouco mais do que o inicialmente previsto enquanto procurávamos a saída. E foi a partir daqui que se começou a notar a diferença da estrada, que era cada vez mais como os portugueses gostam... com muitas curvas!!! As portuguesas é que não gostaram lá muito! A primeira tentativa de foto de grupo teve lugar na paragem em Riano, mas depois de muito tempo à espera de uns meninos que foram tirar fotos para longe (as enormes teias de aranha que traziam testemunharam o tempo que demoraram). O fotógrafo descobriu que não tinha pilhas! Ainda nem começamos e já sem pilhas!

A viagem de ida foi tortuosa e parecia nunca mais acabar. Ficou logo decidido que não seguiríamos o mesmo trajecto na viagem de volta. Depois da frustração de encontrar o primeiro parque de campismo encerrado chegamos, finalmente, já bem escuro e com muita fome (até as “croquetas” souberam bem), ao “nosso” parque de campismo.

O dia da subida com mochilas pesadas às costas até ao refugio Vega de Ario não acordou tão “bem disposto” como o dia anterior... o barómetro não engana. Mas lá fomos rumo ao lago para iniciar a subida. Não começou mal, apesar de não estar sol, também não estava muito calor, o que tornava a caminhada mais agradável. À medida que fomos subindo, fomo-nos cruzando com rebanhos, e o tempo piorando. No almoço já apanhamos algumas pingas e o vento já se tornava um pouco desagradável. Estava a arrefecer e era necessário continuar. A partir daqui a chuva foi intensa e constante... e a subida que não termina! Para ajudar, o nevoeiro começou a aparecer, mas não se tornou tão desagradável como a chuva. Apesar do tempo, o caminho estava bem identificado e foi fácil encontrar o refúgio.

O final do dia e início da noite foi passado no refúgio (que era praticamente nosso, além de nós e dos dois guardas estavam apenas mais três americanos), sempre acompanhado pelo “som” seleccionado pelos guardas do refúgio e a chuva lá fora, a conversar, a comer, a tirar fotos e a jogar às cartas. A desforra ficará para a próxima, pode ser que até lá dê para aprender mais umas batotas. Ah, temos que elogiar o jantar! Foi uma surpresa, ninguém esperava tanto mérito dos guardas.

O tempo do dia seguinte estava semelhante, com algum nevoeiro e chuviscos, mas alguns mais confiantes resolveram ascender ao Pico de Jultayo, antes do regresso. Não correu mal, o tempo estava até mais quente do que o dia anterior e no final já estávamos todos com os casacos e camisolas à cintura. Apesar do desnível algo acentuado, a subida foi agradável (sem mochilas é muito mais fácil). Sentimos falta de um “sherpa” para carregar a água. Para a próxima já sabemos. Até nesta breve separação do grupo a comunicação nunca faltou e fomos tendo directivas do pessoal que ficou no refúgio (mais uma vez com os walkie talkies). O pico era giro, foi pena o nevoeiro não deixar “espaço” para grandes vistas. Pensávamos que o trajecto (ida e volta) demoraria duas horas, mas acabou por ser, o tempo apenas da subida. Em compensação a descida foi bastante rápida e logo podemos repor os níveis de água. Como demoramos mais tempo do que o previsto, quando chegamos ao refúgio, os quartos e a casa de banho já estavam interditos (para limpeza). A sorte foi que as meninas que ficaram no refúgio, cuidaram direitinho das nossas coisas.

Quem subiu, almoçou. Ainda que parecesse cedo para os restantes, nós já estávamos com um apetite voraz. E, com o estômago mais confortável, iniciamos a descida. Ainda houve tempo para a foto de grupo (agora já havia pilhas). O retorno foi deveras interessante, fortemente marcado pela presença da lama, que em relação ao dia anterior estava bem mais macia e escorregadia. O exercício de equilibrismo foi hilariante! Mas, também não havia problema, socorristas é o que não falta no grupo. ;)

Já nos nossos mobiles regressamos ao parque de campismo, ansiosos por um BANHO! Ainda parámos em Covadonga, para visitar o Santuário.

O jantar soube bem... em especial a sangria.

No último dia, o de regresso às nossas casinhas, depois de tudo arrumadinho, fomos fazer as últimas compras a Cangas de Onis e uma visitinha à Feira dos Queijos. Quem não gosta, fugiu a sete pés com o cheiro, mas para quem é apreciador, foi um regalo poder provar a especialidade de cada stand.

O almoço foi marcado pela concentração de “guardias civis”... parece que andavam à procura do fulano do Big Brother que, por acaso, ou não, também estava na bomba de gasolina...

As viaturas de transporte não enganam ninguém, as obras esperam-nos! E tudo acaba bem com o desejo final de “Boa semana de trabalho”!