Trilho do Carteiro / Arouca. 25-05-2013

 

 




   Este trilho foi cheio de originalidades:  o ponto de encontro multiplicou-se por três; o grupo não foi um mas dois e o seu início prolongou-se no tempo… não por preguiça, mas por solidariedade com alguns caminheiros, que resolveram começar a “festa” mais cedo, só que no local errado - no parque de campismo de Merujal / refúgio da Freita. De facto o local estava muito animado, com muita gente pronta a partir para os respectivos percursos e não fora o Alfredo vir orientá-los para o bom caminho, sabe-se lá o que lhes poderia ter acontecido.

                                                                              

 

 

         

Com tempo de sobra para as apresentações e acomodações e com o sol já bem quentinho, lá arrancamos para Tebilhão num caminho bem delimitado, apreciando as culturas locais (feijão plantado ao lado do milho para que este lhe sírva de suporte ao crescer) e figos que lá para Julho estarão maduros, mas disso nos dará conta o nosso amigo, que à sua sombra espera pacificamente que amadureçam.            

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Com Cabreiros já bem pertinho, prosseguimos em ritmo lento e cavaqueiro com uma subida já acentuada que nos fez vergar para a frente, para contrabalançar e para ir entrando no ritmo das subidas que nos esperavam, depois do almoço, sem que nos apercebêssemos que estávamos ainda em fase de estágio. Da aldeia de Cabreiros nada a registar, apenas alguns saudosos lembraram-se que já tinham almoçado numa escola que lá está meia abandonada. Prosseguimos, passando pelo Rio pequenino, afluente do rio Frandes, cuja ponte data de 1899 conforme consta da inscrição em baixo relevo.

   

 

 

Continuamos calmamente em direcção a Rio de Frades, passando pelas portas do paraíso, que só se abrem depois de recitada a fórmula mágica que fica no segredo de cada um, mas que é bem acessível, pois ninguém ficou para trás.

                                          

 

Antes de Rio de Frades o grupo dividiu-se em  mineiros e caminheiros.

            

 

Aos primeiros foi dada a oportunidade de experienciar um dia de trabalho na mina, aos segundos apenas continuar a passeata, porque estava muito calor e a mina já deu o que tinha a dar aos alemães e ingleses.

 Descendo e subindo em direcção à mina, avistamos nas margens do rio as instalções em ruínas das oficinas e armazéns de apoio à extracção do volfrâmio e chegados à boca da mina pousamos as mochilas e preparamo-nos para entrar. Apenas víamos um pontinho luminoso ao fundo do túnel e debalde mandámos a Luz à frente, pois caímos logo no escuro.  Não fora o Jorge ser uma cabeça luminosa e a coisa daria para o torto, porque havia uma pedra no caminho que precisava ser contornada pela esquerda, umas entradas/buracos no chão que em tempos deve ter servido para alívio de quem lá trabalhava  e ainda uma grande poça de água, tudo evitado a tempo, salvo para um nosso amigo que não teve iluminação condigna e levou para casa uma grande mancha vermelha na perna, para melhor recordar uma visita à mina de volfrâmio da serra de freita com direito a mazela.

Chegamos ao fim da galeria a tempo de ver o Marcos, do grupo  1PB, dar o seu 2º mergulho do dia.

De volta, cruzamo-nos com 3 caminheiros, cujo guia descobriu que não via nada porque tinha os óculos de sol postos.

De notar que esta galeria já é mais para inglês/português ver, pois o chão é de terra batida, tem uma altura muito cómoda – nada de ir vergado, pelo contrário e só falta mesmo a luz eléctrica.

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De volta ao percurso interrompido, andamos um pouco mais e deparamo-nos com uma vista de cartaz publicitário – a aldeia de rio de Frades - onde almoçamos e descansamos  à sombra das paredes das casas rurais, bem perto dum lavatório cavado numa pedra que respingava para tudo e todos.

             

 

 

Comemos bolinho gentilmente confeccionado e oferecido por membros de 1PB e procedeu-se  a uma portagem improvisada para ver a quem pertencia um apetrecho que se nos deparou no caminho e a que, em jeito provocatório, alguém sugeriu que fosse rebaptizado os domingueiros:  1PM, o que deixaria de fora boa parte do pessoal, já que a natureza não os favoreceu com anatomia suficiente para integrarem tal nomenclatura.

           

 

 

Depois do almoço deparamo-nos com uma subida de nos tirar o fôlego,  sem pré-aviso, com o sol a pique e corpos a suar. Subida ultrapassada a ritmos vários, aos primeiros soube bem uns 30 minutinhos de descanso em que se paroveitou para falar de comida internacional: morcegos assados, insectos no pão, etc…  Valeu a espera, contudo tivemos muita pena dos atrasados, que íam chegando, estoirados, suados, cansados e sem direito ao bónus, mas… engano nosso, pois estes afirmaram seguros que era melhor nem parar, pois já tinham entrado no ritmo e era melhor assim. Gostos e feitios!! Cada qual com o seu. Portanto, fim em beleza do 1º km vertical com os primeiros confundidos com os últimos e todos com vontade  de seguir em frente.

 

 

 

 

Tanta, era a vontade de seguir em frente que até se embrenharam num percurso alternativo e aí tiveram que fazer marcha atrás para aprender mais, já que queriam continuar à procura do ouro e em direcção a Pedrogão e o nosso objectivo era mais mensageiro e por sinal muito mais íngreme. Asprender! Aprender! Sempre!              

Tempo de espera, e de renovação da protecção solar factor 50+ enquanto o Alfredo resgatava os adiantados e se aguardavam os poupadinhos de forças, que estavam bem reservadas para o 2º km vertical.

Percurso em corta-mato pela serra acima, a precisar de muita hidratação e curtas paragens para observar a paisagem e retemperar forças a caminho do local ideal para a foto da praxe.

 

Depois de uma pequenina descida foi um instante até avistarmos a pequeníssima aldeia de Cando.

                                           

 

 

 

 

Aqui fomos recebidos por 3 grandes galos e 1 galinha esbaforida e fugidia (fugia do Alfredo ou talvez do Pinto – não confirmei!) e respectiva dona que nos veio abrir a porta – literalmente – da aldeia e fazer as honras da casa, descansando  e conversando connosco, enquanto uns tomavam banho no fontanário com água imprópria para consumo e outros agurdavam pelos grandes apreciadores da natureza – os atrasados.

 

                         

 

A Luz encontrou um banquinho à medida, mas antes inspeccionou o seu interior à procura de abelhas, aranhas, ratos e outros comestíveis ao gosto do pessoal mais internacionalizado. E pronto! Sentadinhos e à sombra só faltava começar a comer outra vez e foi o que fizemos, só para não levarmos comida para casa.

    

 

Findo o descanso e a cavaqueira era tempo de completar o círculo e voltar ao ponto de partida seguindo agora por estrada, apenas com um pequenino desvio a corta-mato para abreviar o percurso.  Tempo ainda para o Marcos tomar o seu 3º banho de rio.

 

À chegada aos carros o Alfredo presenteou todos os participantes com umas cervejinhas bem geladas, bolo de frutas e palitos conforme nos tinha prometido durante a caminhada. Findo o convívio à volta da mesa montada para o efeito pelo Alfredo ,  alguns aproveitaram para se refrescar nas águas fresquinhas da levada e mudar de indumentária para chegarem fresquinhos a casa. Boa!

 

 

A comidinha caíu tão bem que se fizeram promessas de bolo de chocolate já para a próxima caminhada – fiquei sem saber  se é a próxima caminhada da ofertante  ou a próxima caminhada dos domingueiros.  Lá teremos que ir a todas… No entanto, a menina da promessa está bem identificada.

                                                   

 

Um grande obrigado ao Alfredo pelo empenho, simpatia e cuidado que pôs na organização do trilho. Sim, porque isto de ser guia são sempre trabalhos dobrados: é subir a penhascos à procura de alguma ovelha tresmalhada; é controlar os primeiros que acham que sabem o caminho e depois é volta atrás que aprendes mais; é trocar informações fresquinhas com quem se cruza no caminho não vá o diabo tecê-las e entre o dia do reconhecimento e o dia da caminhada já algo se alterou; é andar com água gelada para socorrer os incautos; é arranjar cervejinhas geladas para os beberolas e Cª; é ir atrás e ir à frente a ver se ninguém desistiu, etc., etc.,

 

 

 

 

           

 

          Alfredo, o nosso muito obrigado!  E até sempre!